Hora de Ler: The dangerous art of Blending In - Angelo Surmelis


Fala galerinha, tudo bem? Vamos começar o mês com uma novidade fresquinha, um debut daqueles, um LGBT que tava fazendo falta na minha TBR e que respondeu bem as minhas expectativas, bora conferir?
Numa tradução livre o título do livro seria algo como "A perigosa arte de se esconder" dando sentido ao livro como todo afinal é basicamente sobre isso que a narrativa trata, e essa capa também tá muito adequada.

Evan Panos tem 17 anos, é imigrante Grego e não se encaixa em "tribo" nenhuma, tem uma família extremamente tradicional-cristã-controladora que segue tudo da bíblia e o impede de fazer tudo e qualquer coisa sem que passe pelo aval deles antes.

As coisas vão bem no caos familiar quando Henry, um melhor amigo dele volta pra cidade e desperta os desejos mais escondidos que Evan nem sabia existir, também pudera o menino tá gostoso, fortinho e o trata com a maior atenção do mundo.


Passível de todos os clichês que você possa imaginar diante da sinopse, esse é um livro que vai muito além de um romance adolescente e que não cai nos clichês citados; temos aqui uma trama de certa forma complexa por tratar de vários assuntos ao mesmo tempo, abuso verbal e físico na família, auto-aceitação, o primeiro amor, primeiro beijo e primeiro-tudo, como se não bastasse ainda tem a questão da transição adolescência-fase adulta em que precisa decidir o que fazer na faculdade.

É um livro denso principalmente em relação ao abuso, tem cenas pesadas e bem descritivas da Mãe batendo em Evan, ainda temos bullying de brinde e muita confusão na escola onde a intolerância rola solta. Não bastasse ser Grego, o menino ainda sofre por ser gay e virgem.
Em muitas partes chega a ser sufocante ler os relatos do personagem, ver o pai altamente passivo até o meio da história e só depois acordar também nos deixa agoniados em um nível bem próximo da realidade.

De um lado temos a opressão na família de Evan, do outro acontece uma utopia onde a família de Henry o aceita e APOIA com os crushes e namoradinhos, o menino fica bravo no início por não ter tido nenhuma dificuldade com isso, irreal né?! Noto que isso é quase uma variável em grande parte dos YALGBT (Livros Jovem Adulto com temática Gay/Bi/Lésbica/Trans) onde quase sempre temos o protagonista oprimido e o amiguinho/crush com pais acolhedores e maravilhosos.

O menino tem um lado artístico bem aflorado e usa disso para se expressar nos diários, desenha (muito bem até) o professor observa essas habilidades e o convida a estagiar num museu devido ao seu desempenho nas aulas. Infelizmente o autor não desenvolveu pro lado técnico como foi o caso de Me Chame pelo seu Nome onde o menino vomitava referências, mas Evan entende da coisa, só não soube aproveitar muito bem por conta da opressão da Mãe.


No final do livro ficamos sabendo se tratar de uma história real que aconteceu com o autor, sendo uma quase-biografia, não é pelo fato dele ter ficcionalizado isso tudo dando nome aos personagens, adicionando pessoas e lugares. Para esses livros com fundo biográfico se dá o nome de "Own Voice" que é exatamente isso, experiências vividas pelo autor na visão de personagens fictícios.

Eu nunca tive raiva de um personagem como essa Mãe de Evan, sério, QUE RAIVA! O final é bem satisfatório foge um pouco do lugar comum, dá uma solução bacana para a vida do menino além de ficar uma espécie de gancho para continuação se assim o autor achar necessário.
5 estrelas sem dúvida nenhuma!


Quotes:


Being surrounded by books and magazines makes me feel calm.

*Ficar rodeado de livros e revistas me deixa calmo.

Dad, they think I have a demon inside me. Does that seem normal to you?
*Pai, eles acham que eu tenho um demônio dentro de mim. Isso parece normal pro senhor?

What must be like to feel so comfortable in your own skin?
*Como deve ser se sentir confortável em seu próprio corpo?

I think about how all I wanted was to feel safe. To be loved.
*Eu acho que tudo o que mais queria era me sentir seguro. Me sentir amado.

Maybe the real ugliness is what lives inside some people.
*Talvez a feiura mesmo é a que vive dentro (da alma) de algumas pessoas.

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